Sábado, 11 de Julho de 2009

O cara do dia errado.

O cara do dia errado tem um jeito estranho de andar,
meio apressado mas devagar.
O cara do dia errado tem um jeito estranho de lidar,
meio quase gritando, meio quase brigando, quer apenas tocar.

O cara do dia errado está onde a chuva está.
O cara do dia errado está onde apenas a chuva está.
O cara do dia errado doente, está prestes a evaporar.

Será?

Será que o pacote cria pernas.
E sai da chuva,
caminhando as passos rápidos
e se entrega aos culpados?

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Time.

Meu time perdeu.
Azul.
Meu carro pifou.
Cinza.
Meu estômago doeu.
Vermelho.
Meu salário atrasou.
Verde.
Meu país exilou-me.
Amarelo.
Meu quarda-chuva não deu conta
e eu molhei o pé.
A cabeça.
A alma.
E joguei a toalha.

Duro.

Duro é estar onde não se quer.
Duro que tudo seja longe.
Duro que o pau esteja mole.

Duro é que o cimento molhe.
Que a chuva caia.
Duro é que o tempo esfrie
E a conexão caia.

Duro é ser subestimado.
Duro é ser durão.
Duro é que o tempo passe rápido.
Duro é que agosto demore mais que o gosto popular.
Duro é que é duro.
E que não se chega a lugar nenhum com a vontade.

Quando eu morri.

Quando eu morri, eu morri para ser eterno.
Morri para causar boa impressão.
Morri para deixar saudade.

Não sei se chamei sua atenção.
Chamaram ambulância na ânsia de que o ferimento coagulasse.

Antes tivesses estudado medicina como seu pai queria.
Antes tivesses estudado medicina como seu pai queria.

Não sei de nada, a morte não compete aos mortos.
É competência dos vivos.
Dos vivos e alegres.
Que bebem todos os dias em bares e boates.
Dos que são sorridentes e bem apessoados, que tem boa prosa e conquistam as coisas que querem, sempre e sempre. E fazem o que querem. Porque podem e devem.

Quando eu morri, eu continuei fiel a minha crença.
De que nada além importa.
Morri para provar minha teoria;
Lua era de queijo e o meu beijo verdadeiro como uma batata crua.

Silêncio.

Eu me lembro bem de como foi nosso primeiro encontro. Casual, como os demais não seriam. Eu fiquei em silêncio, porque o silêncio era um luxo que eu poderia me dar.
Fiquei na janela.

Eu estive em trânsito por noites e noites. Indo e vindo de onde não queria. Boçal, como os demais que eu não era. Eu fiquei em silêncio, porque era necessário. O trem já cantava por demais.

Depois, vieram palavras como a cobertura de um bolo de chocolate. Muitas delas em excesso. Porque eu sempre fui dado aos excessos. O pôr-do-sol não conseguiu me calar.

Falei, Falei, Falei.

Depois, vieram mais palavras. Muitas delas vazias. Mero desvio de atenção. Tudo o que queríamos era silêncio.

Silêncio, Silêncio, Silêncio.

Eu me lembro, quando o silêncio veio, eu chorei. Não era bem o silêncio que eu imaginava, nobre e colorido. Era um silêncio turvo. De desdém. Um silêncio safado de quem se esquece. O silêncio comum aos que são deixados para trás nas rodovias, nas rodoviárias, nas ciclovias, nas rotas múltiplas, nas pontes, nas ponte-aéreas, nos túneis do metrô, nos túneis do tempo, ou apenas comum aos olhos dos que ficam para sentir o vento da turbina orgulhosa do pássaro de plástico.

Silêncio Mouro, Silêncio Mulçumano, Silêncio Corajoso, guerreiro.

Eu me lembro do primeiro sinal, um sinal de fumaça com letras que o meu nome não comporta.

Silêncio dos preteridos.

Eu me lembro como não me senti importante. Me senti como antes. Com medo de me sentir como depois.

Silêncio dos fudidos.

Eu não lembro de dormir tão pouco. Eu não me lembro de viver tão pouco.

Silêncio do motor do carro. Silêncio do jornal da tevê. Silêncio do mercado de luxo. Silêncio dos cinemas obscuros. Silêncio dos sebos. Silêncio dos cursos universitários. Silêncio de tudo que é sagrado. Dos amigos ao lado. Dos sorrisos falsários.

Até o cão ficou em silêncio.

Silêncio tão lento.

Eu me lembro bem de como foi nosso último encontro. Irreal, como os demais não foram. Eu fiquei em silêncio, porque o silêncio era um luxo que eu poderia me dar.
Fiquei na calçada.

NOITE

Não consegui dormir.
Novamente.
Mente não descansou.
Novamente.
O estomago sentiu o tranco pesado.
Novamente.
A noite veio.
A noite foi.